“O servo de Cristo cante de tal forma que não se deleite na voz, mas nas palavras que canta.” (São Jerônimo)

Tão importante quanto a função do leitor, que proclama a Palavra de Deus, a função de cantar o Salmo Responsorial, após a primeira leitura, é também um gesto sacramental, sinal sensível da presença de Deus. É uma leitura-proclamação, que deve ser cantada de preferência, como um prolongamento meditativo da leitura proclamada. O Salmista coloca-se a serviço de Deus, emprestando-lhe sua voz, sua comunicação, seus gestos, sua pessoa. E coloca-se a serviço da comunidade reunida em assembleia para ouvir a Palavra.

O Salmo responsorial ou ‘Salmo de resposta’ “é parte integrante da liturgia da palavra”. É, na realidade, uma leitura cantada. Uma “leitura” distinta das demais proclamadas na liturgia, pois sua estrutura literária é essencialmente lírica e poética. Consequentemente, cabe ao(à) Salmista, mais do que cantar, “proclamar” o Salmo na estante da Palavra, pois aqui é o lugar onde Deus dirige sua Palavra ao povo reunido.

Não devemos cantar o Salmo no local do grupo de canto, mas sim do Ambão (mesa da palavra). Em diversos encontros de liturgia e canto pastoral já foi colocada a seguinte questão: poderia o próprio instrumentista, lá do seu lugar, onde está o grupo de canto, tocar e cantar o Salmo? Não é liturgicamente o mais adequado, primeiro, porque os documentos da Igreja insistem em que “Cada um, ao desempenhar sua função, faça tudo e só aquilo que pelas normas litúrgicas lhe compete.” (Sacrosanctum Concilium). Salmodiar requer um dom especial e é um ministério próprio. Depois, porque o Salmo Responsorial deve ser proclamado do ambão ou da estante da Palavra, como as demais leituras.

Trata-se, portanto, de um conjunto de atitudes a serem assumidas por quem canta o Salmo, para que seja expressão do Deus vivo que fala à comunidade, e ao mesmo tempo, resposta orante do povo à Palavra ouvida. O Salmista coloca-se a serviço de Deus, emprestando-lhe sua voz, sua comunicação, seus gestos, sua pessoa. O modo como se dirige ao ambão, seu olhar, seus movimentos, sua dicção, o tom e a modulação da voz, enfim todo o modo de cantar e de ser, toda a postura do corpo. Movido (a) pelo Espírito, o (a) Salmista proclama com os lábios e o coração a mensagem do texto bíblico, para que o povo escute e acolha o que a Igreja lhe diz naquele dia.

Da parte da assembleia, ela deve ter “os olhos fixos” em quem proclama cantando o Salmo (Lc 4, 20), sem acompanhá-lo, assim como as demais leituras, pelo folheto ou mesmo pela Bíblia. Ele deve ser proclamado do Lecionário Dominical, nossa “Bíblia Litúrgica”, segundo Dom Clemente Isnard.

Através dos Salmos aprendemos a suplicar e agradecer, a pedir perdão e louvar, a confiar, rezar e cantar. Herança rica recebida do judaísmo, o Salmo é um dos mais antigos cantos que foram incorporados à liturgia cristã, reinterpretado à luz do Mistério Pascal de Jesus Cristo pelas comunidades primitivas, alimentando nossa fé e nossa espiritualidade. Esquecido por séculos, felizmente foi resgatado pelo Concílio Vaticano II, como “parte integrante da liturgia da palavra”, não devendo ser substituído por outro canto qualquer, porque tem valor de leitura bíblica.

Geralmente, o canto do Salmo vem acompanhado de instrumentos musicais, embora isto não seja necessário. Inclusive vale lembrar que, principalmente no Salmo e nos cânticos bíblicos, os instrumentos deverão ser muito discretos. O que deve ser ouvida é a voz do Salmista proclamando o texto sagrado. Os instrumentos deverão apenas apoiar, acompanhar discretamente, sem se sobrepor ao canto, sem impor seu ritmo, principalmente durante os versos cantados pelo Salmista. Por causa de seu caráter de leitura cantada, a melodia para os versos do Salmo deverá ser de preferência bastante simples, do tipo recitativo.

O Salmista canta as estrofes e a assembleia canta o refrão, mas quando não é possível se pode proclamar as estrofes, e a assembleia canta o refrão. O refrão do Salmo é próprio da assembleia; é a resposta da assembleia às leituras proclamadas. O Salmista não deve cantar o refrão. O Salmista deve proceder da seguinte maneira: no começo, cantar o refrão duas vezes para a assembleia aprender a melodia; em seguida cante as estrofes normalmente, e deixar a assembleia cantar o refrão. Sempre que possível, o Ministério de Música deve ensaiar o refrão do Salmo com o povo, antes do início da Missa.

Importante destacar que o Salmista é um leitor que canta. O Salmista está proclamando a palavra de Deus, está emprestando sua voz a Ele, por isso o Salmo deve ser proclamado do ambão. Por esta razão, sempre que isto for possível, o Salmista deve ficar junto com os leitores. Neste dia o ministro deve atuar somente como Salmista, e não retornar ao grupo de canto para continuar cantando até o final da Missa. Nas Paróquias onde isto seja possível, que assim seja feito, pois cada um deve ter apenas uma função litúrgica.

Dois são os modos de executar o canto do Salmo:

1) a forma responsorial, em que o Salmista propõe o refrão, cantando-o sozinho, a seguir repetido pela comunidade, e cantando as estrofes, geralmente em forma livre, numa espécie de recitativo, ouvidas e acolhidas pela assembleia, que participa  no refrão;

2) a forma direta, em que o Salmo é todo cantado pelo solista, sem interferência nem participação da assembleia, que só escuta. De preferência seja usada a primeira forma, por promover uma participação ativa (canto) e passiva (escuta) da comunidade celebrante.

O Salmista deve se preparar com cuidado, compromisso e espiritualidade. Como?

  • 1º passo: Ler! Ler e reler o texto (Salmo responsorial), baixinho e em voz alta, escutar o texto (alguém está falando!). Prestar atenção a cada palavra, às ideias, às imagens, ao ritmo, à melodia. Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito). Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.
  • 2º passo: Meditar! Repetir o texto com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim, “mastigar”, “ruminar”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as ideias que contém, mas deixar as próprias palavras mostrarem a sua força: aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto. Penetrar dentro do texto, interiorizá-lo; compreender, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificar-se com ele: perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos Salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus Cristo.
  • 3º passo: Orar! Deixar brotar de dentro do coração, tocado pela Palavra, uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão.
  • 4º passo: Contemplar! A Bíblia não usa o verbo contemplar, e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz para nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa, necessariamente, pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai!”), que se encontra do lado dos pobres.

Algum instrumento que acompanhe o Salmista, seja discreto e suave, servindo apenas de apoio, nunca se sobrepondo à mensagem do texto, que tem a primazia.

Requer-se do Salmista uma sólida formação bíblico-litúrgica, espiritual e musical.

Formação bíblico-litúrgica: O leitor deve ter um conhecimento mínimo da Bíblia: estrutura, composição, número e nome dos livros do Antigo e Novo Testamentos, seus principais gêneros literários (histórico, poético, profético, sapiencial etc.). Quem vai ler na missa precisa saber o que vai fazer e que tipo de texto vai proclamar. Além disso, precisa ter uma preparação litúrgica suficiente, distinguindo os ritos e suas partes, e sabendo o significado do próprio papel ministerial no contexto da Liturgia da Palavra. Ao leitor corresponde não só a proclamação das leituras bíblicas, mas também a das intenções da oração dos fiéis e outras partes que lhe são designadas nos diversos ritos litúrgicos.

Formação espiritual: A Igreja não contrata atores externos para anunciar a Palavra de Deus, mas confia este ministério aos seus fiéis, porque todo serviço à Igreja deve proceder da fé e alimentá-la. O leitor, portanto, precisa procurar cuidar da vida interior da Graça e dispor-se com espírito de oração e olhar de fé. Esta dimensão edifica o povo cristão, que vê no leitor uma testemunha da Palavra que proclama. Esta, ainda que seja eficaz em si mesma, adquire também, da santidade de quem a transmite, um esplendor singular e um ministério atrativo. Do cuidado da própria vida interior do leitor, além do bom senso, dependem também a propriedade dos seus gestos, do seu olhar, do seu vestir e do penteado. É evidente que o ministério do leitor implica uma vida pública conforme os mandamentos de Deus e as leis da Igreja.

Formação técnica e musical: O leitor deve saber como chegar ao ambão e posicionar-se nele, como usar o microfone e o lecionário, como pronunciar os diversos nomes e termos bíblicos, de que maneira proclamar os textos, evitando uma leitura apagada ou enfática demais. Precisa ter clara consciência de que exerce um ministério público diante da assembleia litúrgica: sua proclamação, portanto, deve ser ouvida por todos. Ao se formar tecnicamente é bom que o leitor se lembre de que: (I) Não é aluno de teatro (ator) ou candidato a locutor de rádio ou televisão; (II) Ter o cuidado para não assumir atitude de pose, de arrogância, de vaidade pessoal, de “querer aparecer”, e (III) De acatar com humildade as observações de seu formador ou da coordenação ou do Sacerdote que estiver presidindo a Eucaristia.

Esta tripla preparação deveria constituir uma iniciação prévia à assunção dos leitores, mas depois deveria continuar sendo permanente, para que os costumes não se percam. Isso vale para os ministros de qualquer grau e ordem. É muito útil para o próprio leitor e para a comunidade que todo leitor tenha a coragem de verificar se ele tem todas estas qualidades e, caso elas diminuam, ele deve saber renunciar a esta função com honradez.

Podemos aqui acrescentar algumas recomendações quanto à Postura: o leitor nunca deve ler com as mãos nos bolsos ou para trás, ou na cintura. Pouse as mãos nas laterais do ambão.

Cuidado com os trajes: devem ser decentes, discretos, compatíveis com o respeito que se deve ter pela celebração na Casa de Deus. Às mulheres se pede especial cuidado com roupas muito curtas, ou blusas decotadas, ou cores espalhafatosas, tecidos transparentes, ou que deixem as costas nuas, ou coladas demais ao corpo, transmitindo sensualidade, além do uso excessivo de joias e maquiagem.

Para os homens valem os mesmos conselhos em nome da sobriedade: evitar o uso de bermudas ou sandálias de dedos, camisas de times de futebol, grupos seculares de rock ou estampas com logomarcas ou fotos ou ilustrações de causas externas à Igreja de Cristo. Para todos não se permite o uso de bebidas alcoólicas ou de cigarros minutos antes do início da celebração. Programe o seu horário, e não chegue atrasado, suando, afobado, com pressa, pois tudo isso influencia na celebração.

Realizar este ministério é certamente uma honra, e na Igreja isso sempre se considerou assim. Não é um direito, mas um serviço em prol da assembleia litúrgica, que não pode ser exercido sem as devidas habilitações, pela honra de Deus, pelo respeito ao seu povo e pela própria eficácia da liturgia.

“Cantar no Espírito” supõe preparação anterior, evitando-se a improvisação. Devemos cantar, salmodiar e louvar ao Senhor mais com o espírito do que com a voz.

Fontes para esta colagem de textos:

Ir. Miria Kolling é Religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria, compositora da música litúrgica e religiosa, musicista, pedagoga, gravou mais de 30 trabalhos em LPs e CDs, como também livros sobre canto e liturgia. Disponível em http://www.a12.com/musica/formacao/detalhes/a-funcao-do-Salmista

Comentário de Gelsomino Del Guercio, no dia 5 de março de 2015. Disponível em http://pt.aleteia.org/2015/03/05/3-regras-fundamentais-para-os-leitores-da-missa/

http://musicadiocesana.blogspot.com.br/p/cantar-o-Salmo.html

http://musicaeartesrcc.com/index.php?acao=formacao&formacao_id=91

http://musica.cancaonova.com/formacao-para-musicos/entendendo-melhor-o-Salmo-e-funcao-do-Salmista/

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o-fariseu-e-o-publicano-ccd

Na reunião do CCD (Pastoral de Casais em Segunda União) fizemos a leitura do Evangelho de hoje (23/10/2016), e numa primeira impressão parecia que íamos partilhar o mesmo texto de sempre. Mas Deus nos surpreende com novas luzes sobre a Palavra que é viva e eficaz! Digo isto porque vimos que há quatro tipos de pessoas representadas nesta parábola, e que estão indicadas nesta foto (de baixo para cima). Vejamos quem são:

Tipo 1: São os que se vangloriavam de seus feitos, mas agiam com desprezo para com os seus irmãos. Ali no quadrante vemos que se trata do pecador fechado à graça de Deus: aquele que faz tudo errado, mas finge que é justo e merecedor das recompensas do céu. Seu coração é duro, e sua atitude é arrogante, e por isto a sua oração é vã! Como peca e ao mesmo tempo rejeita a graça, acaba condenado para sempre.

Tipo 2: O Fariseu. Ele faz tudo certo! Ele não rouba a ninguém, é justo em seus acordos, não pratica o adultério, jejua conforme as regras e devolve o dízimo de seus ganhos. Só que ele erra na hora de orar, na hora de falar com Deus, pois fala com arrogância e discrimina os irmãos. Nos seus gestos e em suas palavras não há um pingo de humildade. Creio que os que agem assim encontrarão misericórdia, sim, pelos frutos de suas obras, mas o ideal seria que aprendesse a orar de forma correta.

Tipo 3: O Publicano. Ele faz tudo errado! Talvez pratique o roubo, é injusto em seus acordos, pratica o adultério, não jejua conforme as regras e nem devolve o dízimo de seus ganhos. Só que ele acerta na hora de orar, na hora de falar com Deus, pois fala com humildade. Seus gestos e suas palavras denotam que há um coração contrito e arrependido, e que se veste de sincera humildade para suplicar de Deus o perdão e a misericórdia. Creio que os que agem assim encontrarão misericórdia, sim, em resposta ao coração suplicante, mas o ideal seria que após receber o perdão, procurassem agir de forma correta, modificando o seu comportamento social e religioso.

Tipo 4: O Cristão Ideal: é aquele que faz tudo certo, leva uma vida de acordo com a lei dos homens e a lei de Deus, mas apesar de ter a consciência de que trilha o bom caminho, ainda assim, quando fala com Deus, ele se reconhece pecador, um servo inútil, talvez. Porque ao longo dos dias, em muitas ocasiões, ele se vê traído por sua natureza humana, e acaba cometendo os pecados dos pensamentos, das palavras, dos atos e das omissões. Ele sabe que perfeito só há um: Deus! E por saber disto, se coloca em seu lugar. Creio que este alcançará o Reino do Céu.

Meditemos nesta Catequese de Jesus sobre a ORAÇÃO, e contemplemos como está a nossa vida hoje. Pratico o que é bom aos olhos dos homens e aos olhos de Deus? Reconheço a minha natureza humana e a minha inclinação para as coisas que não são de Deus? Apresento-me a Deus com o coração contrito e arrependido, para dele suplicar o perdão que só ele pode me dar? Lembre-se: “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem, se humilhar será exaltado”.

Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2016

O jornal carioca O Globo publicou matéria no dia 20 de setembro de 2016 com o título “Colégio Pedro II extingue distinção de uniforme por gênero”, e subtítulo “A partir de agora não há mais determinação do que é ‘masculino’ e ‘feminino’”.

Foi tema de grande repercussão nas mídias sociais, com manifestações favoráveis ou contrárias a tal medida, alcançando um dos objetivos dos defensores da ideologia de gênero, que é o de estar presente na mídia para inocular e incentivar a revolução cultural que almejam.

Peço licença para analisar dois trechos da matéria original, reproduzindo os textos parciais que vou comentar à luz da chamada “Ideologia de Gênero”, a mais radical das ideologias, fundada no engano, na mentira, e que deixará em seu rastro uma sociedade de pessoas frustradas e infelizes.[1]

Vou concentrar meus comentários em dois tópicos: primeiro, na conceituação de alguns termos que são importantes para uma introdução ao tema da ideologia de gênero, e depois, na análise de como se deu o processo decisório neste caso específico, o que está de acordo com um dos pilares da ideologia de gênero, como verão mais à frente.

Logo no primeiro parágrafo temos a oportunidade de conceituar brevemente o que vem a ser a Ideologia de Gênero:

“Antes, a escola estabelecia as peças do vestuário destinadas aos meninos (uniforme masculino) e aquelas para uso das meninas (uniforme feminino). Agora, a escola traz apenas a nomenclatura “uniforme”, ficando a cargo dos alunos a opção por qualquer um deles”.

Todos nós temos uma identidade biológica-sexual que nos define como homens (sexo masculino, cromossomo XY) ou mulheres (sexo feminino, cromossomo XX), o que é cientificamente verificável. A Ideologia de Gênero considera que o sexo pertence a uma ordem puramente materialista cujo estudo cabe aos cientistas e técnicos da vida.[2] Ela ignora esta definição biológica, e promove a troca do conceito de sexo pela noção de gênero, que se utiliza de termos convenientes para disseminar uma nova linguagem tais como: “opção sexual”, “lesbianismo”, “direitos sexuais e reprodutivos”, “igualdade e desigualdade de gênero”, “empoderamento da mulher”, “patriarcado”, “sexismo”, “direito ao aborto”, “gravidez indesejada”, “tipos de família”, “casamento homossexual”, “sexualidade polimórfica”, “parentalidade”, “homofobia”.[3]

Em resumo, na visão dos ideólogos do gênero existe, sim, um sexo biológico, com o qual nascemos, mas ao mesmo tempo eles reconhecem que toda pessoa pode construir livremente seu sexo psicológico, ou sexo construído socialmente, ou simplesmente gênero. E mais: há uma clara separação entre o sexo e o gênero, com destaque para a absoluta insignificância do sexo. O que importa é o gênero. Podemos aqui se lembrar da escritora francesa Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.[4]

Sexo é, portanto, uma palavra que se refere às diferenças biológicas visíveis das partes genitais e da procriação entre macho e fêmea. Mas gênero é uma questão de cultura adquirida, construída, e se refere à classificação de masculino e feminino, ou qualquer outra coisa que se queira ser.[5]

Defendem os ideólogos de gênero que cada indivíduo pode construir e inventar a sua própria sexualidade, numa profusão de papéis que evolui incessantemente ao longo do tempo, podendo ser qualquer coisa que lhes vier à mente[6]. Isto nos dá a triste sensação de que era bem melhor quando estes mesmos ideólogos achavam que havia apenas sete gêneros “clássicos”, ou seja, sete papéis à escolha dos humanos: heterossexual, homossexual, lésbico, transexual operado, transexual não operado, bissexual e indiferenciado. Entendem eles que com este cardápio de papéis se pode facilmente escapar da armadilha que representa o modelo binário de conceber a realidade na esfera sexual.[7]

A autora da matéria informa que “a medida é importante para resguardar os alunos sofrem com a imposição de gênero colocada pela sociedade”, e destaca as palavras do Diretor:

“Procuramos de alguma maneira contribuir para que não haja sofrimento desnecessário entre aqueles que se colocam com uma identidade de gênero diferente daquela que a sociedade determina”.

Pode parecer que houve uma confusão aqui, mas criar confusão parece ser próprio dos que defendem a Ideologia de Gênero. O Aluno João, por exemplo, nasceu biologicamente homem, mas ele tem o direito de construir um gênero diferente para si, conforme defendem os ideólogos de gênero, mas a sociedade também pode determinar este novo gênero para o Aluno João, e por isto ele precisa ser protegido, conforme visão do Diretor, para que João não seja discriminado pelos demais Alunos quando estiver representando um papel não convencional (vamos considerar aqui o “convencional” seria João agir como homem, como pessoa do sexo masculino).

Segundo Jorge Scala “as minorias que se sentem advogadas por esta causa são apenas instrumentos inconscientes, e são usadas sem perceberem que, na verdade, militam contra si mesmas”.[8]

O que a direção do Colégio Pedro II faz, neste episódio é reafirmar a sua aprovação e alinhamento com a Ideologia de Gênero, reconhecendo que alunos homens podem usar o uniforme feminino, se quiserem, e que alunas mulheres podem se vestir com o uniforme masculino, se quiserem, e assim, fica mais fácil atender ao gênero de cada Aluno, para que ninguém se sinta desconfortável ou constrangido por se ver obrigado a usar um uniforme adequado ao seu sexo biológico, mas inadequado ao seu sexo construído, isto é, ao seu gênero.

Nas palavras do Diretor do Colégio, “propositalmente, deixa-se à critério da identidade de gênero de cada um a escolha do uniforme que lhe couber”. Lembre-se, porém, de que estamos falando de crianças[9] que frequentam o ensino fundamental e o ensino médio.

Esta posição da escola se manifesta em vários outros campos, e um deles é, por exemplo, nos cabeçalhos das provas e nos comunicados da instituição, que não são direcionados aos Alunos e nem às Alunas. São enviados aos “Alunxs”, que foi o termo escolhido para se referir às crianças que estudam ali, sem fazer referência ao gênero de cada um. Respeito à norma culta? Não, pois isto representa uma opressão, e é preciso estar aberto ao novo…

Passemos agora à análise do processo de tomada de decisão a favor da adoção do “uniforme genérico”, no qual chama a atenção esta informação dada na matéria:

“A instituição afirma que a decisão é resultado de um conjunto de mobilizações e discussões promovidas por alunos e professores em vários campi.”

Perceba que as discussões foram conduzidas entre Alunos (“empoderados”, com certeza!) e os Professores. Pais e responsáveis não foram ouvidos neste processo, é o que parece ter acontecido. Isto é consequência bem pensada e executada do feminismo marxista, que substitui a classe proletária, oprimida pela mulher; substitui a classe capitalista pelo homem; e substitui a luta de classes pela luta dos sexos. Mas não apenas isto: é preciso fazer uma revolução cultural, política, jurídica, filosófica, total![10]

De modo particular, a ideologia de gênero declara o seu ódio aos três “M” do universo das mulheres: M de Menstruação; M de Matrimônio; e M de Maternidade. Isto requer que se quebre todo o sentido de autoridade que há, e é necessário tudo fazer para libertar a mulher da tirania da biologia que a aprisiona em casa, a serviço do seu opressor (o marido) e os filhos. É o fim da família, como nós a conhecemos hoje! O Matrimônio passa ater o mesmo valor que a coabitação sem compromissos, as relações ocasionais, a prostituição, a homossexualidade, a pederastia, ou o bestialismo.

Vem daí o interesse dos defensores da Ideologia de Gênero em se apropriarem da escola, para construir a nova sociedade do futuro, moldando o comportamento das crianças e dos adolescentes pelos axiomas da ideologia, que vão aos poucos impregnando todo o universo que cerca as mentes em construção. E para isto, convém que os pais e responsáveis sejam mantidos afastados da escola, para que fiquem bem longe e não venham a atrapalhar a formação das consciências.

O que desejam não é o combate às discriminações, não é a proteção das minorias, mas sim a fabricação de um novo tipo de indivíduo, sexualmente amorfo, a ser configurado a esmo, e para isso transformam as escolas em laboratórios de dissolução psíquica das crianças. Enfim, um crime![11]

As forças que dão sustentação à agenda de gênero são muito poderosas, a começar pela ONU – Organização das Nações Unidas e seus questionáveis programas nesta área. A mesma ONU onde hoje, por nefasta coincidência, esteve pela primeira vez o Presidente brasileiro, Michel Temer. Em seu discurso de abertura da Assembleia Geral deste ano, falando sobre os direitos humanos, ele ressaltou a defesa integral da igualdade de gênero, e de outros postulados que atendem à agenda global comandada pela ONU, que recomenda fortemente que a doutrinação a favor da ideologia de gênero aconteça dentro das escolas, e quanto mais cedo, melhor.

Em muitas cidades brasileiras está em discussão o Plano Municipal de Educação e também o Plano Estadual de Educação, e os ativistas da ideologia de gênero estão mais ativos do que nunca, embora estejam enfrentando uma reação organizada e que tem conseguido importantes vitórias contra os ideais desta demoníaca ideologia. Isto porque foi proposta a introdução da palavra “gênero” no Plano Nacional de Educação através da PLC 103/2012, mas tal propositura não foi aprovada pelo congresso em 2013. Apesar disto, eles não desistiram, e estão tentando introduzir o conceito de gênero em nível estadual e municipal.

Se países como Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, que há praticamente quatro décadas promoviam essa ideologia, estão voltando atrás, vendo que a experiência não é razoável e nem oferece ganhos sociais, por que nós deveríamos iniciar um processo que já se mostrou inválido? Por que deveríamos aceitar que uma ideologia sem bases razoáveis e em contradição com as mais renomadas pesquisas sobre o tema ditasse o modo de ver o homem e a sua educação em nossos planos municipais de educação? Precisamos reagir, e pressionar a câmara legislativa municipal e estadual para que não permitam que esta violência seja cometida contra as nossas crianças.

Encerro este texto reproduzindo a opinião do Padre Luiz Henrique Brandão de Figueiredo[12], para quem se não enfrentarmos esta realidade “então a estrada estará livre para que se usem materiais didáticos que ensinem nossos filhos que socialmente falando, não são homens ou mulheres, mas podem escolher qualquer opção sexual que quiserem e podem usar livremente de sua sexualidade. É urgente que todas as esferas da sociedade se manifestem, dentro da ordem e segundo as leis, contra a aprovação da palavra “gênero” nos Planos Municipais da Educação”.

[1] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 14.

[2] Bonnewijn, Oliver. Gender, quem és tu? Sobre a Ideologia de Gênero. Campinas, SP. Ecclesiae, 2015. p. 34.

[3] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 15.

[4] Beauvoir, Simone. O SEGUNDO SEXO.

[5] O lema da nova campanha da Barbie diz: “Você pode ser tudo que quiser”. Ver em http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/comercial-da-barbie-traz-mensagem-feminista-para-meninas, acessado em 20/09/2016

[6] Há o caso de uma jovem norueguesa que aos 20 anos decidiu ser uma gata; de na França, o professor Karen Chessman afirma que “tem um cavalo dentro de mim”, e vive como tal; no Canadá um homem casado e pai de sete filhos decidiu assumir a identidade de uma menina de seis anos de idade, perturbação mental que já o levou a tentar suicídio duas vezes. Disponível em http://admrestauracao.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=7388&pagina_id=136620&tipo=post&post_id=4.

[7] Bonnewijn, Oliver. Gender, quem és tu? Sobre a Ideologia de Gênero. Campinas, SP. Ecclesiae, 2015. p. 38.

[8] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 9.

[9] Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é considerado “criança” o cidadão que tem até 12 anos incompletos. Aqueles com idade entre 12 e 18 anos são adolescentes.

[10] Bonnewijn, Oliver. Gender, quem és tu? Sobre a Ideologia de Gênero. Campinas, SP. Ecclesiae, 2015. p. 24.

[11] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 9.

[12] http://paroquiauniversitaria.org.br/index.php/home/noticias/190-ideologia-de-genero-e-a-falacia-do-seu-fundamento

No ano de 2007 eu e minha esposa passamos as férias explorando as belezas de Maceió, e um dos lugares que visitamos foi a Praia do Gunga, essa da foto aí em cima. Trata-se de um recanto belíssimo, com águas mornas, límpidas, e enfeitada com um enorme coqueiral bem “nas costas” dos turistas que estão ali a desfrutar daquele paraíso.

Hora da sede, lá fui eu procurar a barraca mais próxima e pedi um coco bem geladinho ao jovem que ali estava. A resposta, dada sem sequer olhar em minha direção, foi assustadora:

– Tem coco não, moço!

Como assim? Como não tem coco? Praia cheia, trocentos carros estacionados, e outros trocentos ônibus das operadoras de turismo com turistas do Brasil e do exterior… Como era possível que não houvesse coco para aplacar a minha sede? Questionei ao rapaz:

– Amigo, a praia está cheia, tem turista aqui de montão, e você me diz que não tem coco… Tá certo isso?

– É que o caminhão não entregou o coco hoje, seu moço!

Como assim? O caminhão não entregou o coco? O “pessoal” do caminhão na sabia que os turistas estariam ali, e que certamente iriam pedir um coco? O “pessoal” das barracas também não pensou nisto? Esse “pessoal” não pensou que iriam perder muito dinheiro se faltasse coco para os turistas?

Dei dois passos atrás, e olhei pra cima. A barraca estava embaixo de um enorme coqueiro, um dos milhares que havia ali, e bem acima da cabeça daquele jovem resplandeciam três cachos com cocos enormes, provavelmente próximos de serem colhidos.

– Amigo, que árvore é esta que faz sombra aqui na sua barraca?

– Num tá vendo que é um coqueiro, seu moço?

– Sim, e acho que aqueles frutos ali em cima são cocos, certo?

– Certo!

– E você me diz que não tem coco pra vender?

– Se aborreça não, meu rei! Esses aí a gente não pode tirar não.

– Tá bom, cara, eu desisto! Me dá um refri!

– O refri tá quente. Serve assim?

– Como assim, amigo? Você não tem coco, e o refri está quente?

– É que o pessoal do gelo ainda não chegou.

– Amigo, pelo amor de Deus! São dez e meia da manhã! Que horas este gelo vai chegar?

– Sei não, meu rei! Depende “dos pessoal” do gelo…

Agora, em janeiro de 2016, passei por situação semelhante, e mais simples, na praia de Barra do Camurupim, próxima a Natal – RN. Peço um coco, e o “amigo” me diz que o coco tá quente, porque o “pessoal” esqueceu de ligar o freezer durante a noite…

Em ambos os casos, vemos como a logística pode destruir uma empresa, levando os empresários a perderem muito dinheiro. Logística não é só entrega, transporte: há toda uma engrenagem que precisa ser movimentada, envolvendo pessoas, processos, tecnologia, produtos, parceiros, clientes, e se alguma destas engrenagens se desajusta, todo o sistema padece gerando ineficiência, perdas financeiras, e insatisfação nos clientes.

Mas não vou encerrar este texto só com uma visão ruim e caricata da logística, até porque ela não merece isso. Logística é uma ciência, se estuda, se mede, se melhora.

No sábado, dia 23 de janeiro, por volta do meio dia, fechei com o Magazine Luiza a compra de um Tablet Samsung, aproveitando uma promoção bem interessante. O prazo de entrega, destacado em vários pontos do processo de compra e nos e-mails de confirmação que me foram enviados, era de 5 (cinco) dias úteis. Logo, eu deveria receber o bem na próxima sexta-feira, dia 29 de janeiro.

Hoje, terça-feira, dia 26 de janeiro, às 11 da manhã, segundo dia útil após a efetivação da compra, o Tablet foi entregue aqui em minha casa. Três dias de antecedência… Me pus a pensar sobre esta maravilha da logística, e foi inevitável a comparação com as experiências ruins com os meus cocos em Maceió e em Natal.

Não importa se o bem tem alto ou baixo valor agregado, a logística sempre se fará presente, e a qualidade da operação vai mostrar quem é campeão na área, quem apenas sobrevive sem maiores ambições, e quem vai desaparecer rapidamente do mercado. Bons profissionais de logística fazem a diferença, como de resto, em todas as profissões.

Torço para que “o pessoal” do coco se acerte de vez, para que os turistas sejam mais bem tratados neste nosso Brasil, o que inclui o prazer de saborear um simples coco num paraíso nordestino. É simplesmente inacreditável que a Argentina receba mais turistas estrangeiros do que o Brasil, com todo o respeito que tenho pelos “Hermanos”. Nossas ineficiências são grandes também nesta área, e pouco se faz para mudar este quadro.

Minha sugestão: sigam o coco, e muitas respostas poderão ser encontradas.

Foto: Sérgio Ficuri, em http://www.praiadogunga.com.br/

Há alguns anos eu estava conversando com uma colega de trabalho, que me falava da tristeza de ver a dificuldade e a frustração de seu marido por não encontrar uma recolocação no mercado de trabalho. Havia perdido o emprego já fazia meses, consultava o mercado regularmente, e muito raramente participava de uma entrevista, sempre sem sucesso. A economia brasileira ia mal, em especial o setor de construção civil, e este nosso amigo era engenheiro.

Até que um dia… fiat! Aconteceu! O rapaz foi finalmente contratado por uma empresa de médio porte, e imediatamente iniciou um novo ciclo em sua vida profissional. Algumas semanas depois da boa nova, eu perguntei a esta amiga como estavam as coisas, e ela me deu uma resposta que eu nunca mais esqueci.

Ela discorreu sobre algumas dificuldades iniciais da adaptação de seu marido à nova empresa, à cultura desta empresa, à velocidade das coisas e das pessoas, tudo muito hostil a ele que ficara meses fora do mercado de trabalho.

Em seguida, minha amiga me relatou muito orgulhosa que nada era maior do que a alegria deste rapaz ao acordar de manhã, tomar banho, se arrumar, vestir a camisa da empresa (sim, havia um “uniforme” para os Engenheiros!) e pendurar no pescoço o crachá daquela empresa. Coisas simples, que muitas vezes nem damos valor, mas que fazem um enorme bem a um ser humano.

Nesta parte da conversa, eu vi que a minha amiga falava com uma sinceridade cristalina: havia brilho em seus olhos, e naquele momento, o maridão era o seu herói!

Lembro que naquele momento eu cantei para ela um pedacinho de uma música do Gonzaguinha, que diz assim: “Um homem se humilha se castram seu sonho. Seu sonho é sua vida, e vida é trabalho. E sem o seu trabalho, o homem não tem honra. E sem a sua honra, se morre, se mata! Não dá pra ser feliz! Não dá pra ser feliz…”.

Damos um salto de 20 anos nesta história, e aqui estamos nós!

Lembrei desta conversa com muito carinho, com muita ternura, porque a empresa em que trabalho atualmente instituiu o uso do crachá para todos os funcionários no segundo semestre de 2015, e eu passei a usá-lo com um… digamos… um santo orgulho!

Sim, porque o crachá nos associa a uma organização, nos dá um sentimento de pertença, nos dá uma dignidade, nos identifica perante esta organização e também perante os stakeholders, e por isto eu considero que o simples e às vezes rejeitado crachá é de suma importância em nossas vidas. A minha amiga estava corretíssima, nos seus comentários de 20 anos atrás, naquela nossa conversa que tivemos.

Isto tem especial importância no início deste ano de 2016, em que a economia brasileira vai muito mal, rastejando na lama da recessão, que já vai se transformando em depressão, dado que os especialistas convergem na visão de que o PIB brasileiro só volta a se recuperar em 2018. Inevitável associar a recessão e o desemprego. Este indicador, que era um dos orgulhos da “nova matriz econômica” inventada sabe-se lá por quem (filho feio não tem pai), se deteriora rapidamente, e deve entrar no Ano Novo de 2016 com dois dígitos. (1)

Isto quer dizer que muitos brasileiros, muitos chefes de família, não importa se homens ou mulheres, perderão o direito de colocar no pescoço o crachá de uma empresa, humilhados que serão pela castração de seu sonho, e a perda de sua honra, como ensinou Gonzaguinha. E assim, já sabemos, não dá pra ser feliz!

Esta realidade já visitou a muitas pessoas, a muitas famílias, e mesmo em sala de aula, muitos Alunos vieram me avisar que haviam perdido seus empregos ao longo do ano de 2015. Sem emprego, sem renda; sem renda, sem poder de compra; sem poder de compra, sem investimentos na própria educação e formação. E sem esta formação, maiores serão as dificuldades para conquistar o direito de ostentar no peito o crachá de uma nova empresa.

Aos que já estão nesta triste condição de “sem crachá”, eu desejo que sejam verdade as palavras de todos estes especialistas em recolocação que utilizam diversos eufemismos, tais como “reinvente-se”, ou “use a sua criatividade”, ou “inove”, ou “faça uma transição de carreira”, etc. para dizer a você uma só coisa: “Se vira, meu irmão! Dá teu jeito! Corre atrás!”. Entenda: eles estão certos! Se você ficar parado, não vai conseguir nada! (2)

Para aqueles que, como eu (por enquanto… nunca se sabe!) podem continuar exibindo os seus crachás, desejo muita sorte e felicidades em 2016! Que a dor de uma demissão não visite a você, nem a ninguém de sua família neste ano! Todos os dias de manhã, quando sair de casa, agradeça a Deus por esta empresa que te deu este crachá! Vida longa a esta empresa, e também a este crachá, é tudo o que você pode desejar agora!

E se acontecer de castrarem o seu sonho, volte dois parágrafos, e recomece: lute! Lute para dar a volta por cima, e criar condições para a sua volta ao mercado de trabalho. Como continua nos ensinando o Gonzaguinha: “Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis. Guerreiros são meninos, no fundo do peito! Precisam de um descanso, precisam de um remanso, precisam de um sono que os tornem refeitos”.

Refeito, você parte pra luta, porque é a única opção viável! Nem que seja para ostentar no peito o crachá da empresa “Eu Mesmo”! Porque assim, eu tenho certeza, vai dar para ser feliz!

Felicidades, pois!

 

Artigo: Produtividade e Exportações.

Na base do IRPF/2012, entre os brasileiros com bens e direitos acima de 1,5 Milhões, estão 406 mil declarações do IRPF e um patrimônio autodeclarado de 2,4 Trilhões de Reais.
Admitindo-se como premissa a regra do 80 X 20 (na verdade, ajustei para 65 X 20), seria razoável admitir que 21 Mil declarantes acumulam patrimônio de 1,5 Trilhões de Reais. Isto equivale a 30% do PIB de 2012, e um imposto de apenas 1% sobre este patrimônio geraria uma arrecadação bruta de 15 Bilhões de Reais.
Estes 15 Bilhões de Reais poderiam desonerar mais de 3 milhões de contribuintes da primeira faixa de renda, justamente aquela mais carente, e que só está recolhendo IRPF na fonte devido à defasagem na correção da tabela do IRPF nos últimos anos da funesta administração Mantega.
O caminho é por aí? Se assim fosse, a ideia é realmente compensar os mais pobres pela taxação dos mais ricos, ou o governo somente arrecadaria mais? Em ambos os casos, sou a favor do IGF. Agradeço seus comentários.
Professor Wiliam Rangel – Rio de Janeiro
Mestre em Economia Empresarial – UCAM

José Luis Oreiro

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