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Final de semestre letivo é sempre assim, ao menos comigo: uma grande alegria, pela certeza do dever cumprido, mas ao mesmo tempo uma ponta de tristeza, pelos alunos que ficaram reprovados! E aí vem aquela pergunta: quem reprova é o Professor, ou é o próprio Aluno quem se reprova?

Sou daqueles que gosta de entregar o que foi combinado, e no caso acadêmico, temos uma Ementa, temos um Plano de Ensino, temos um calendário acadêmico, e isto tudo nos obriga a cumprir aquilo a que o curso ou a instituição se propôs fazer. Neste aspecto, não há dúvidas! Eu cubro todas as unidades programáticas; eu não falto; eu não chego atrasado; eu não desperdiço tempo com bobagens; eu incentivo a leitura; eu facilito as coisas para os alunos carentes de dinheiro e de tempo, fornecendo a eles uma Apostila contendo os itens básicos que serão cobertos; quando possível, eu faço atividades mais dinâmicas em sala, coisas que envolvam e libertem a ação criadora do aluno, e por fim, eu cobro nas Avaliações exatamente aquilo que foi abordado em sala.

O problema é que isso não é suficiente para sensibilizar uma parte significativa do alunado. Este grupo de alunos não se sensibiliza, não reage aos incentivos, não se move para fazer o mínimo que lhes é pedido, e aí, as coisas ficam muito complicadas. Já é dito e conhecido de todos a aversão que apresentam às leituras. É a geração do paradoxo: lêem o dia inteiro (e-mails, twitter, facebook…), mas reclamam de uma prova que tem 4 páginas. Nas redes sociais se comunicam, se expõem, mas em sala de aula, são como zumbis, mortos-vivos que nada fazem, com nada interagem, estão ali apenas para deixar o tempo passar.

Um aluno me disse certa vez: “Professor, eu quero passar; aprender, eu aprendo depois!”.  Talvez seja esta a filosofia de estudos deste pequeno grupo que desafia o bom senso, e que se coloca diante das provas realmente como o  personagem daquele filme “À espera de um milagre”. O milagre virá do esqueminha da cola, ou de alguma facilidade apresentada pelo Professor de coração mole, de um bom score nas questões de “Chútipla escolha”, de qualquer lugar, de qualquer coisa!

Não deve ser assim, até porque, há o outro lado: jovens que lutam com toda a dignidade para superar tempos, distâncias, empregos, filhos, e que lá estão, das 19 às 21:40 lutando, plenamente conscientes do que estão fazendo em sala, e de onde querem chegar. É por isto que alguns conseguem, e outros não. Estes, os que não conseguem, são os que frequentam o “Muro das Lamentações” no final do semestre, cada qual com uma história mais triste que o outro.

Histórias rendem boas conversas, ombro amigo, conselhos, mas não necessariamente aprovação numa determinada matéria. Alunos que não podem ficar reprovados porque perderão bolsas de estudo, ou que perderão o patrocínio que lhes garante o financiamento das mensalidades, ou que deixarão de alcançar uma promoção no trabalho, caso não se formem, alunos que já estão comprometendo parte da renda com a festa da formatura, alunos que já são repetentes na matéria, alunos que não podem ficar reprovados porque a matéria é pré-requisito para várias outras matérias, nada disto é motivo para que passemos por cima dos critérios de aprovação para garantir ao aluno continuar sua jornada, sempre à espera de um milagre. Ao contrário: alunos que se enquadram em qualquer uma destas situações, devem ter o compromisso de lutar, desde a primeira aula, por seus objetivos, objetivos que são seus, e não do Professor!

Eu prefiro os alunos do outro grupo, sem dúvida! Veja este exemplo: neste semestre recebi um e-mail de uma aluna me pedindo encarecidamente que eu a retirasse da Prova Final, e elencava uma série de motivos pessoais e profissionais para me sensibilizar. Respondi à aluna que estas dificuldades só valorizariam as vitórias que ela poderia alcançar, e que ela não deveria se furtar à responsabilidade de encarar a avaliação e se superar. Dito e feito! A aluna acabou tirando nota até maior do que o mínimo necessário para passar!

Por tudo isto, é que eu continuo achando que quem se aprova ou quem se reprova é o aluno, e que ele não deve fugir desta responsabilidade, deste compromisso. Alunos que lutam dignamente pelo que é seu, geralmente conseguem atingir suas vitórias. Alunos que estão sempre à espera de um milagre… bem, pode ser que o milagre não aconteça! E se assim for, não adianta culpar aos outros.

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