No ano de 2007 eu e minha esposa passamos as férias explorando as belezas de Maceió, e um dos lugares que visitamos foi a Praia do Gunga, essa da foto aí em cima. Trata-se de um recanto belíssimo, com águas mornas, límpidas, e enfeitada com um enorme coqueiral bem “nas costas” dos turistas que estão ali a desfrutar daquele paraíso.

Hora da sede, lá fui eu procurar a barraca mais próxima e pedi um coco bem geladinho ao jovem que ali estava. A resposta, dada sem sequer olhar em minha direção, foi assustadora:

– Tem coco não, moço!

Como assim? Como não tem coco? Praia cheia, trocentos carros estacionados, e outros trocentos ônibus das operadoras de turismo com turistas do Brasil e do exterior… Como era possível que não houvesse coco para aplacar a minha sede? Questionei ao rapaz:

– Amigo, a praia está cheia, tem turista aqui de montão, e você me diz que não tem coco… Tá certo isso?

– É que o caminhão não entregou o coco hoje, seu moço!

Como assim? O caminhão não entregou o coco? O “pessoal” do caminhão na sabia que os turistas estariam ali, e que certamente iriam pedir um coco? O “pessoal” das barracas também não pensou nisto? Esse “pessoal” não pensou que iriam perder muito dinheiro se faltasse coco para os turistas?

Dei dois passos atrás, e olhei pra cima. A barraca estava embaixo de um enorme coqueiro, um dos milhares que havia ali, e bem acima da cabeça daquele jovem resplandeciam três cachos com cocos enormes, provavelmente próximos de serem colhidos.

– Amigo, que árvore é esta que faz sombra aqui na sua barraca?

– Num tá vendo que é um coqueiro, seu moço?

– Sim, e acho que aqueles frutos ali em cima são cocos, certo?

– Certo!

– E você me diz que não tem coco pra vender?

– Se aborreça não, meu rei! Esses aí a gente não pode tirar não.

– Tá bom, cara, eu desisto! Me dá um refri!

– O refri tá quente. Serve assim?

– Como assim, amigo? Você não tem coco, e o refri está quente?

– É que o pessoal do gelo ainda não chegou.

– Amigo, pelo amor de Deus! São dez e meia da manhã! Que horas este gelo vai chegar?

– Sei não, meu rei! Depende “dos pessoal” do gelo…

Agora, em janeiro de 2016, passei por situação semelhante, e mais simples, na praia de Barra do Camurupim, próxima a Natal – RN. Peço um coco, e o “amigo” me diz que o coco tá quente, porque o “pessoal” esqueceu de ligar o freezer durante a noite…

Em ambos os casos, vemos como a logística pode destruir uma empresa, levando os empresários a perderem muito dinheiro. Logística não é só entrega, transporte: há toda uma engrenagem que precisa ser movimentada, envolvendo pessoas, processos, tecnologia, produtos, parceiros, clientes, e se alguma destas engrenagens se desajusta, todo o sistema padece gerando ineficiência, perdas financeiras, e insatisfação nos clientes.

Mas não vou encerrar este texto só com uma visão ruim e caricata da logística, até porque ela não merece isso. Logística é uma ciência, se estuda, se mede, se melhora.

No sábado, dia 23 de janeiro, por volta do meio dia, fechei com o Magazine Luiza a compra de um Tablet Samsung, aproveitando uma promoção bem interessante. O prazo de entrega, destacado em vários pontos do processo de compra e nos e-mails de confirmação que me foram enviados, era de 5 (cinco) dias úteis. Logo, eu deveria receber o bem na próxima sexta-feira, dia 29 de janeiro.

Hoje, terça-feira, dia 26 de janeiro, às 11 da manhã, segundo dia útil após a efetivação da compra, o Tablet foi entregue aqui em minha casa. Três dias de antecedência… Me pus a pensar sobre esta maravilha da logística, e foi inevitável a comparação com as experiências ruins com os meus cocos em Maceió e em Natal.

Não importa se o bem tem alto ou baixo valor agregado, a logística sempre se fará presente, e a qualidade da operação vai mostrar quem é campeão na área, quem apenas sobrevive sem maiores ambições, e quem vai desaparecer rapidamente do mercado. Bons profissionais de logística fazem a diferença, como de resto, em todas as profissões.

Torço para que “o pessoal” do coco se acerte de vez, para que os turistas sejam mais bem tratados neste nosso Brasil, o que inclui o prazer de saborear um simples coco num paraíso nordestino. É simplesmente inacreditável que a Argentina receba mais turistas estrangeiros do que o Brasil, com todo o respeito que tenho pelos “Hermanos”. Nossas ineficiências são grandes também nesta área, e pouco se faz para mudar este quadro.

Minha sugestão: sigam o coco, e muitas respostas poderão ser encontradas.

Foto: Sérgio Ficuri, em http://www.praiadogunga.com.br/