PASTORAL FAMILIAR


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Na reunião do CCD (Pastoral de Casais em Segunda União) fizemos a leitura do Evangelho de hoje (23/10/2016), e numa primeira impressão parecia que íamos partilhar o mesmo texto de sempre. Mas Deus nos surpreende com novas luzes sobre a Palavra que é viva e eficaz! Digo isto porque vimos que há quatro tipos de pessoas representadas nesta parábola, e que estão indicadas nesta foto (de baixo para cima). Vejamos quem são:

Tipo 1: São os que se vangloriavam de seus feitos, mas agiam com desprezo para com os seus irmãos. Ali no quadrante vemos que se trata do pecador fechado à graça de Deus: aquele que faz tudo errado, mas finge que é justo e merecedor das recompensas do céu. Seu coração é duro, e sua atitude é arrogante, e por isto a sua oração é vã! Como peca e ao mesmo tempo rejeita a graça, acaba condenado para sempre.

Tipo 2: O Fariseu. Ele faz tudo certo! Ele não rouba a ninguém, é justo em seus acordos, não pratica o adultério, jejua conforme as regras e devolve o dízimo de seus ganhos. Só que ele erra na hora de orar, na hora de falar com Deus, pois fala com arrogância e discrimina os irmãos. Nos seus gestos e em suas palavras não há um pingo de humildade. Creio que os que agem assim encontrarão misericórdia, sim, pelos frutos de suas obras, mas o ideal seria que aprendesse a orar de forma correta.

Tipo 3: O Publicano. Ele faz tudo errado! Talvez pratique o roubo, é injusto em seus acordos, pratica o adultério, não jejua conforme as regras e nem devolve o dízimo de seus ganhos. Só que ele acerta na hora de orar, na hora de falar com Deus, pois fala com humildade. Seus gestos e suas palavras denotam que há um coração contrito e arrependido, e que se veste de sincera humildade para suplicar de Deus o perdão e a misericórdia. Creio que os que agem assim encontrarão misericórdia, sim, em resposta ao coração suplicante, mas o ideal seria que após receber o perdão, procurassem agir de forma correta, modificando o seu comportamento social e religioso.

Tipo 4: O Cristão Ideal: é aquele que faz tudo certo, leva uma vida de acordo com a lei dos homens e a lei de Deus, mas apesar de ter a consciência de que trilha o bom caminho, ainda assim, quando fala com Deus, ele se reconhece pecador, um servo inútil, talvez. Porque ao longo dos dias, em muitas ocasiões, ele se vê traído por sua natureza humana, e acaba cometendo os pecados dos pensamentos, das palavras, dos atos e das omissões. Ele sabe que perfeito só há um: Deus! E por saber disto, se coloca em seu lugar. Creio que este alcançará o Reino do Céu.

Meditemos nesta Catequese de Jesus sobre a ORAÇÃO, e contemplemos como está a nossa vida hoje. Pratico o que é bom aos olhos dos homens e aos olhos de Deus? Reconheço a minha natureza humana e a minha inclinação para as coisas que não são de Deus? Apresento-me a Deus com o coração contrito e arrependido, para dele suplicar o perdão que só ele pode me dar? Lembre-se: “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem, se humilhar será exaltado”.

Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2016

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O jornal carioca O Globo publicou matéria no dia 20 de setembro de 2016 com o título “Colégio Pedro II extingue distinção de uniforme por gênero”, e subtítulo “A partir de agora não há mais determinação do que é ‘masculino’ e ‘feminino’”.

Foi tema de grande repercussão nas mídias sociais, com manifestações favoráveis ou contrárias a tal medida, alcançando um dos objetivos dos defensores da ideologia de gênero, que é o de estar presente na mídia para inocular e incentivar a revolução cultural que almejam.

Peço licença para analisar dois trechos da matéria original, reproduzindo os textos parciais que vou comentar à luz da chamada “Ideologia de Gênero”, a mais radical das ideologias, fundada no engano, na mentira, e que deixará em seu rastro uma sociedade de pessoas frustradas e infelizes.[1]

Vou concentrar meus comentários em dois tópicos: primeiro, na conceituação de alguns termos que são importantes para uma introdução ao tema da ideologia de gênero, e depois, na análise de como se deu o processo decisório neste caso específico, o que está de acordo com um dos pilares da ideologia de gênero, como verão mais à frente.

Logo no primeiro parágrafo temos a oportunidade de conceituar brevemente o que vem a ser a Ideologia de Gênero:

“Antes, a escola estabelecia as peças do vestuário destinadas aos meninos (uniforme masculino) e aquelas para uso das meninas (uniforme feminino). Agora, a escola traz apenas a nomenclatura “uniforme”, ficando a cargo dos alunos a opção por qualquer um deles”.

Todos nós temos uma identidade biológica-sexual que nos define como homens (sexo masculino, cromossomo XY) ou mulheres (sexo feminino, cromossomo XX), o que é cientificamente verificável. A Ideologia de Gênero considera que o sexo pertence a uma ordem puramente materialista cujo estudo cabe aos cientistas e técnicos da vida.[2] Ela ignora esta definição biológica, e promove a troca do conceito de sexo pela noção de gênero, que se utiliza de termos convenientes para disseminar uma nova linguagem tais como: “opção sexual”, “lesbianismo”, “direitos sexuais e reprodutivos”, “igualdade e desigualdade de gênero”, “empoderamento da mulher”, “patriarcado”, “sexismo”, “direito ao aborto”, “gravidez indesejada”, “tipos de família”, “casamento homossexual”, “sexualidade polimórfica”, “parentalidade”, “homofobia”.[3]

Em resumo, na visão dos ideólogos do gênero existe, sim, um sexo biológico, com o qual nascemos, mas ao mesmo tempo eles reconhecem que toda pessoa pode construir livremente seu sexo psicológico, ou sexo construído socialmente, ou simplesmente gênero. E mais: há uma clara separação entre o sexo e o gênero, com destaque para a absoluta insignificância do sexo. O que importa é o gênero. Podemos aqui se lembrar da escritora francesa Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.[4]

Sexo é, portanto, uma palavra que se refere às diferenças biológicas visíveis das partes genitais e da procriação entre macho e fêmea. Mas gênero é uma questão de cultura adquirida, construída, e se refere à classificação de masculino e feminino, ou qualquer outra coisa que se queira ser.[5]

Defendem os ideólogos de gênero que cada indivíduo pode construir e inventar a sua própria sexualidade, numa profusão de papéis que evolui incessantemente ao longo do tempo, podendo ser qualquer coisa que lhes vier à mente[6]. Isto nos dá a triste sensação de que era bem melhor quando estes mesmos ideólogos achavam que havia apenas sete gêneros “clássicos”, ou seja, sete papéis à escolha dos humanos: heterossexual, homossexual, lésbico, transexual operado, transexual não operado, bissexual e indiferenciado. Entendem eles que com este cardápio de papéis se pode facilmente escapar da armadilha que representa o modelo binário de conceber a realidade na esfera sexual.[7]

A autora da matéria informa que “a medida é importante para resguardar os alunos sofrem com a imposição de gênero colocada pela sociedade”, e destaca as palavras do Diretor:

“Procuramos de alguma maneira contribuir para que não haja sofrimento desnecessário entre aqueles que se colocam com uma identidade de gênero diferente daquela que a sociedade determina”.

Pode parecer que houve uma confusão aqui, mas criar confusão parece ser próprio dos que defendem a Ideologia de Gênero. O Aluno João, por exemplo, nasceu biologicamente homem, mas ele tem o direito de construir um gênero diferente para si, conforme defendem os ideólogos de gênero, mas a sociedade também pode determinar este novo gênero para o Aluno João, e por isto ele precisa ser protegido, conforme visão do Diretor, para que João não seja discriminado pelos demais Alunos quando estiver representando um papel não convencional (vamos considerar aqui o “convencional” seria João agir como homem, como pessoa do sexo masculino).

Segundo Jorge Scala “as minorias que se sentem advogadas por esta causa são apenas instrumentos inconscientes, e são usadas sem perceberem que, na verdade, militam contra si mesmas”.[8]

O que a direção do Colégio Pedro II faz, neste episódio é reafirmar a sua aprovação e alinhamento com a Ideologia de Gênero, reconhecendo que alunos homens podem usar o uniforme feminino, se quiserem, e que alunas mulheres podem se vestir com o uniforme masculino, se quiserem, e assim, fica mais fácil atender ao gênero de cada Aluno, para que ninguém se sinta desconfortável ou constrangido por se ver obrigado a usar um uniforme adequado ao seu sexo biológico, mas inadequado ao seu sexo construído, isto é, ao seu gênero.

Nas palavras do Diretor do Colégio, “propositalmente, deixa-se à critério da identidade de gênero de cada um a escolha do uniforme que lhe couber”. Lembre-se, porém, de que estamos falando de crianças[9] que frequentam o ensino fundamental e o ensino médio.

Esta posição da escola se manifesta em vários outros campos, e um deles é, por exemplo, nos cabeçalhos das provas e nos comunicados da instituição, que não são direcionados aos Alunos e nem às Alunas. São enviados aos “Alunxs”, que foi o termo escolhido para se referir às crianças que estudam ali, sem fazer referência ao gênero de cada um. Respeito à norma culta? Não, pois isto representa uma opressão, e é preciso estar aberto ao novo…

Passemos agora à análise do processo de tomada de decisão a favor da adoção do “uniforme genérico”, no qual chama a atenção esta informação dada na matéria:

“A instituição afirma que a decisão é resultado de um conjunto de mobilizações e discussões promovidas por alunos e professores em vários campi.”

Perceba que as discussões foram conduzidas entre Alunos (“empoderados”, com certeza!) e os Professores. Pais e responsáveis não foram ouvidos neste processo, é o que parece ter acontecido. Isto é consequência bem pensada e executada do feminismo marxista, que substitui a classe proletária, oprimida pela mulher; substitui a classe capitalista pelo homem; e substitui a luta de classes pela luta dos sexos. Mas não apenas isto: é preciso fazer uma revolução cultural, política, jurídica, filosófica, total![10]

De modo particular, a ideologia de gênero declara o seu ódio aos três “M” do universo das mulheres: M de Menstruação; M de Matrimônio; e M de Maternidade. Isto requer que se quebre todo o sentido de autoridade que há, e é necessário tudo fazer para libertar a mulher da tirania da biologia que a aprisiona em casa, a serviço do seu opressor (o marido) e os filhos. É o fim da família, como nós a conhecemos hoje! O Matrimônio passa ater o mesmo valor que a coabitação sem compromissos, as relações ocasionais, a prostituição, a homossexualidade, a pederastia, ou o bestialismo.

Vem daí o interesse dos defensores da Ideologia de Gênero em se apropriarem da escola, para construir a nova sociedade do futuro, moldando o comportamento das crianças e dos adolescentes pelos axiomas da ideologia, que vão aos poucos impregnando todo o universo que cerca as mentes em construção. E para isto, convém que os pais e responsáveis sejam mantidos afastados da escola, para que fiquem bem longe e não venham a atrapalhar a formação das consciências.

O que desejam não é o combate às discriminações, não é a proteção das minorias, mas sim a fabricação de um novo tipo de indivíduo, sexualmente amorfo, a ser configurado a esmo, e para isso transformam as escolas em laboratórios de dissolução psíquica das crianças. Enfim, um crime![11]

As forças que dão sustentação à agenda de gênero são muito poderosas, a começar pela ONU – Organização das Nações Unidas e seus questionáveis programas nesta área. A mesma ONU onde hoje, por nefasta coincidência, esteve pela primeira vez o Presidente brasileiro, Michel Temer. Em seu discurso de abertura da Assembleia Geral deste ano, falando sobre os direitos humanos, ele ressaltou a defesa integral da igualdade de gênero, e de outros postulados que atendem à agenda global comandada pela ONU, que recomenda fortemente que a doutrinação a favor da ideologia de gênero aconteça dentro das escolas, e quanto mais cedo, melhor.

Em muitas cidades brasileiras está em discussão o Plano Municipal de Educação e também o Plano Estadual de Educação, e os ativistas da ideologia de gênero estão mais ativos do que nunca, embora estejam enfrentando uma reação organizada e que tem conseguido importantes vitórias contra os ideais desta demoníaca ideologia. Isto porque foi proposta a introdução da palavra “gênero” no Plano Nacional de Educação através da PLC 103/2012, mas tal propositura não foi aprovada pelo congresso em 2013. Apesar disto, eles não desistiram, e estão tentando introduzir o conceito de gênero em nível estadual e municipal.

Se países como Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, que há praticamente quatro décadas promoviam essa ideologia, estão voltando atrás, vendo que a experiência não é razoável e nem oferece ganhos sociais, por que nós deveríamos iniciar um processo que já se mostrou inválido? Por que deveríamos aceitar que uma ideologia sem bases razoáveis e em contradição com as mais renomadas pesquisas sobre o tema ditasse o modo de ver o homem e a sua educação em nossos planos municipais de educação? Precisamos reagir, e pressionar a câmara legislativa municipal e estadual para que não permitam que esta violência seja cometida contra as nossas crianças.

Encerro este texto reproduzindo a opinião do Padre Luiz Henrique Brandão de Figueiredo[12], para quem se não enfrentarmos esta realidade “então a estrada estará livre para que se usem materiais didáticos que ensinem nossos filhos que socialmente falando, não são homens ou mulheres, mas podem escolher qualquer opção sexual que quiserem e podem usar livremente de sua sexualidade. É urgente que todas as esferas da sociedade se manifestem, dentro da ordem e segundo as leis, contra a aprovação da palavra “gênero” nos Planos Municipais da Educação”.

[1] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 14.

[2] Bonnewijn, Oliver. Gender, quem és tu? Sobre a Ideologia de Gênero. Campinas, SP. Ecclesiae, 2015. p. 34.

[3] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 15.

[4] Beauvoir, Simone. O SEGUNDO SEXO.

[5] O lema da nova campanha da Barbie diz: “Você pode ser tudo que quiser”. Ver em http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/comercial-da-barbie-traz-mensagem-feminista-para-meninas, acessado em 20/09/2016

[6] Há o caso de uma jovem norueguesa que aos 20 anos decidiu ser uma gata; de na França, o professor Karen Chessman afirma que “tem um cavalo dentro de mim”, e vive como tal; no Canadá um homem casado e pai de sete filhos decidiu assumir a identidade de uma menina de seis anos de idade, perturbação mental que já o levou a tentar suicídio duas vezes. Disponível em http://admrestauracao.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=7388&pagina_id=136620&tipo=post&post_id=4.

[7] Bonnewijn, Oliver. Gender, quem és tu? Sobre a Ideologia de Gênero. Campinas, SP. Ecclesiae, 2015. p. 38.

[8] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 9.

[9] Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é considerado “criança” o cidadão que tem até 12 anos incompletos. Aqueles com idade entre 12 e 18 anos são adolescentes.

[10] Bonnewijn, Oliver. Gender, quem és tu? Sobre a Ideologia de Gênero. Campinas, SP. Ecclesiae, 2015. p. 24.

[11] Scala, Jorge (Dr.) IDEOLOGIA DE GÊNERO, O NEOTOTALITARISMO E A MORTE DA FAMÍLIA. São Paulo, SP : Katechesis, p. 9.

[12] http://paroquiauniversitaria.org.br/index.php/home/noticias/190-ideologia-de-genero-e-a-falacia-do-seu-fundamento